Eu tinha um roteiro para mim mesmo: o que dizer, o que parecer, o que defender. Funcionava durante o dia. À meia-noite, o roteiro falhava. Não por drama — por cansaço. A voz que eu chamava de eu simplesmente não aguentava mais o expediente.

A MESA À MEIA-NOITE

Foi ali que a jornada começou, sem iniciação formal. Um copo d'água, a casa quieta, e a pergunta que ninguém tinha me ensinado a fazer: se eu não for essa versão, o que sobra?

"O silêncio não chegou para me salvar. Chegou para me mostrar quem falava no meu lugar."

Este blog existe porque essa pergunta não se resolve numa noite. Ela pede caminho, ferramenta e testemunho. O que escrevo daqui em diante é o rastro disso.